sexta-feira, 3 de julho de 2009

Mal de Próstata

Já estou encostando nos 50 e cada vez me sinto mais como o Papel Higiênico John Wayne, que nunca fez sucesso no mercado porque era rude, duro e não agüentava merda de ninguém. Nem da reforma ortográfica; espera para ver se eu vou brigar com o corretor de texto para tirar o trema de “agüentava” aí em cima.
Os cinqüenta (tome trema outra vez) são uma época de descobertas e realizações: você descobre que está freqüentando cada vez mais a farmácia e menos o bar, que entre “Senhor” e “Tio” você definitivamente prefere o primeiro, e que em troca de alguns anos hipotéticos a mais você está disposto a acreditar nas únicas coisas do seu organismo que estão subindo inexoravelmente: o colesterol, os triglicérides, a glicose. E quanto às realizações, bem... aplique um anglicismo e veja que sooner or later you will also realize all that.
É hora de ler os obituários prestando atenção (Pombas, se a expectativa de vida está subindo por que esses caras estão morrendo com a minha idade?), de finalmente escutar o médico, de se lamentar por não ter aumentado o prêmio do seguro de vida. De ver como a vontade de fazer um monte de coisas diminuiu naturalmente, enquanto outras aumentam (confesse, você pensa mais e mais em finalmente ganhar na loteria e menos em passar uma noite com as Spice Girls; você só ia dar conta de duas no máximo e ninguém mais lembra quem eram elas).
Por um lado, uma coisa diminuiu saudavelmente: a sua paciência. Você não precisa mais de ver Festival Fassbinder para comer ninguém, nem assistir Glauber Rocha para conversar no botequim. Pode ficar em casa de licença médica e começar um blog para mostrar à mocidade que o mundo está indo aos cães.
É isso aí.

Um comentário:

  1. eh, eh, eh, eh!

    considera-se desenvolvimento o aumento da esperança de passar muitos anos no lar da terceira idade... :D

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